O técnico Cuca não escondeu a frustração após o Santos perder por 2 a 1 para o Atlético-MG, em jogo válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado, construído com gols mineiros nos minutos finais, encerrou uma sequência positiva do Peixe: eram oito jogos de invencibilidade e seis vitórias consecutivas fora de casa.
Virada nos acréscimos pesa na análise
Em coletiva após a partida, Cuca reconheceu que o Atlético-MG foi um pouco superior, principalmente pela adaptação ao gramado, mas destacou que o Santos também criou chances. Segundo o treinador, a equipe precisava de mais intensidade e velocidade na reta final, o que motivou a entrada de Rony. "Existem situações que precisam ser analisadas, o Rony não entrou mal, mas a execução das jogadas acabaram mal", afirmou, lembrando que o atacante pecou no último passe em pelo menos uma jogada decisiva.
O treinador relatou que o time chegou a abrir o placar aos 43 minutos, mas viu o Atlético-MG buscar o empate e a virada já nos acréscimos, em sequência de falhas que envolveu Escobar, no escanteio cedido, e problemas de posicionamento que deixaram o goleiro fora do lance do gol de Vitor Hugo. "Tomamos gol e isso já era acréscimos. [...] Escorregou em cruzamento que deveria ser evitado, tomamos um gol aos 97. O sabor? Pior dos sabores que pode existir", lamentou Cuca.
Desgaste físico e cobrança por equilíbrio
Questionado sobre o rendimento de Bontempo, Cuca explicou que o jogador havia retornado de viagem com a Seleção Brasileira e teve pouco tempo de treino antes da partida, o que explicaria o desgaste em campo ao lado de Gustavinho. O técnico disse que cogitou fazer substituições para poupar os dois, mas optou por não mexer no time a tempo.
Sobre a falha que resultou no gol da virada, Cuca evitou apontar culpados isoladamente, citando o momento de Diógenes no lance. "Prefiro que questionem meu trabalho do que o do jogador", disse, ressaltando que pretende conversar com o preparador de goleiros e com o próprio atleta para entender a leitura feita naquele momento. O treinador lembrou ainda boas atuações do goleiro em jogos anteriores, contra Flamengo e São Paulo, como forma de contextualizar o episódio.
Rivalidade, provocações e o jogo contra o Cruzeiro como referência
Cuca também comentou o clima de rivalidade entre as torcidas de Santos e Atlético-MG, defendendo que provocações fazem parte do futebol, mas que atitudes que atingem instituições ultrapassam o limite aceitável. Sem citar nomes, pediu reflexão para que episódios do tipo não se repitam, alertando para o risco de episódios mais graves de confronto entre torcidas.
Ao analisar o desempenho recente da equipe, o treinador citou a vitória sobre o Cruzeiro como uma das melhores atuações do time nesta fase, mesmo com adaptações na escalação, como o uso de Igor Vinícius improvisado na lateral direita. Cuca reconheceu que ajustes táticos nem sempre funcionam - caso do que tentou contra o Flamengo - mas defendeu a identidade de jogo que vem buscando construir.
Foco agora é o duelo com o Fluminense
Com a derrota, o Santos terá uma semana cheia para se preparar para o confronto contra o Fluminense, no Maracanã, também pela reta final do Campeonato Brasileiro. O Peixe segue na briga por uma vaga pelo menos na fase prévia da Conmebol Libertadores, e Cuca minimizou o resultado negativo ao lembrar o retrospecto recente da equipe como visitante. "São os mesmos jogadores que ganharam cinco fora de casa, que desde a época do Pelé não acontecia, e podem ir no Maracanã e ganhar", disse o treinador, confiante na capacidade de reação do grupo nas oito rodadas restantes da competição.