A seleção brasileira venceu a Índia por 4 a 0, em amistoso disputado nesta data, com gols de Estevão, Pedro e dois de Samuel Lino. O placar elástico, no entanto, esconde um primeiro tempo morno, de posse de bola sem intensidade e poucas situações de perigo diante de um adversário tecnicamente muito inferior. A vitória confortável no placar não deve mascarar um desempenho coletivo abaixo do esperado para uma seleção pentacampeã mundial.
O destaque negativo da noite foi, mais uma vez, Vinícius Jr. O atacante do Real Madrid foi substituído ainda no intervalo, sem conseguir desequilibrar contra uma marcação frágil, repetindo a atuação apagada do confronto anterior diante da Austrália, quando o Brasil venceu por 4 a 2. São três jogos seguidos de baixíssima produção do camisa 7, justamente o jogador de quem mais se espera protagonismo ofensivo depois de ter sido o melhor em campo na última Copa do Mundo. Enquanto o torcedor acompanha a seleção em busca de entretenimento e entusiasmo, como quem gira a roda da fortuna à espera de um resultado animador, o que se viu em campo foi o oposto: previsibilidade e falta de vontade. roda da fortuna
Um primeiro tempo sem agressividade
A equipe comandada por Carlo Ancelotti entrou em campo em ritmo de treino. Lenta na construção, sem pressão ofensiva e sem a urgência que se esperaria diante de uma seleção que vive uma realidade muito distante do futebol de elite. A Índia, modesta no cenário internacional, não ofereceu resistência tática, mas o Brasil também não impôs intensidade suficiente para transformar a superioridade técnica em gols logo nos primeiros minutos.
Vinícius Jr. e a sequência de atuações discretas
A saída do atacante ainda no intervalo chamou atenção. Titular absoluto tanto no Real Madrid quanto na seleção, Vinícius Jr. não conseguiu se sobressair nem diante de uma marcação muito aquém do nível ao qual está habituado. É o terceiro compromisso seguido em que o camisa 7 passa longe do protagonismo, repetindo o apagamento já notado contra a Austrália. Coincidência ou não, o jogador também vive início de temporada criticado pela imprensa espanhola e por parte da torcida merengue, cenário que reforça a necessidade de observar sua forma física e mental nas próximas semanas.
Lino aproveita a chance e reacende o ataque
Foi justamente o substituto de Vinícius Jr., Samuel Lino, quem mudou a dinâmica da partida. Pouco depois de entrar, o jogador do Atlético de Madrid marcou o terceiro gol brasileiro e ainda ampliou o placar mais adiante, com boa movimentação e disposição para o duelo individual. Ancelotti seguiu mexendo no time ao longo da etapa final, mas o entusiasmo coletivo, de modo geral, permaneceu limitado até o apito final.
O que esperar daqui para frente
Resultado elástico à parte, a sequência recente acende um sinal de atenção sobre a forma de Vinícius Jr. e sobre a postura geral da seleção em jogos considerados "fáceis" no papel. Cabe à comissão técnica avaliar se é hora de dar descanso ao atacante ou mantê-lo como titular absoluto, mesmo diante de atuações discretas. O desafio da seleção brasileira, daqui para frente, não é apenas vencer, mas voltar a jogar com a identidade ofensiva que se espera de um time pentacampeão do mundo.